segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Se a educação sozinha não é capaz de mudar o país, tampouco é possível mudar o país sem educação, já refletia Paulo Freire. No Brasil, esse país em que, para o educador pernambucano, ter esperança já é ato revolucionário, é notório que nem todos os grupos tem acesso à formação educacional. Trata-se de uma lástima histórica. Os surdos só ganharam a sua primeira escola, na então capital federal, durante o Segundo Reinado. Também foi tardio o reconhecimento da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras), ocorrido há apenas quinze anos.

A necessidade de ampliar a inclusão é praticamente unânime na sociedade. Mas o patrono da educação brasileira já observava há décadas que é preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz. Nesse sentido, o Brasil segue vivendo em atraso. Em 2016, ano em que o país celebrou como nunca a superação dos deficientes com o sucesso dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, o Inep constatou o menor número de surdos matriculados em classes especiais e escolas exclusivas na década, a metade do registrado em 2011. A quantidade de surdos incluídos em classes comuns também caiu no período.

Para reverter esse quadro, é necessário capacitar os professores, inclusive os estudantes de licenciaturas, ao domínio pleno em Libras. Outros desafios são comuns aos estudantes sem deficiência, como a necessidade de integração com os responsáveis pelos alunos para formar uma sinergia entre escola e comunidade. E além da garantia do direito básico da educação aos surdos, também deve se valorizar no processo de formação, como já se favorece em linhas gerais com o novo Ensino Médio, o incentivo das habilidades profissionais desse grupo.

Mesmo em tempos de corte de gastos, não se deve marginalizar ainda mais uma parcela da população já historicamente excluída. Para isso, com o oferecimento de qualificação ao corpo docente e o subsequente fornecimento de estrutura adequada, cria-se o cenário mais propício para que os surdos sejam incluídos nas salas de aula e assim tenhamos um país mais igualitário.