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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Ninguém corta o sucesso de Marcelo Rezende!


A base de praticamente tudo que dá certo na televisão depende não de efeitos técnicos, cenários luxosos ou formatos mirabolantes... Claro que uma estrutura mínima é necessária, mas o que o povo gosta mesmo de ver são boas histórias. E principalmente aqui no Brasil.

Adoramos personagens mesmo longe das novelas. Como falar do penta sem exaltar a superação de Ronaldo? Ou mesmo não embarcar em notícias que nos proporcionam reviravoltas diárias dignas de ficção? Foi assim com casos como o Isabella Nardoni e o Eloá Pimentel. Em comum, ambos também dispararam a audiência de um canal em especial: a Record.

Por trunfos assim que o canal da Barra Funda adquiriu a fama de sanguinário. E há um pouco de razão nisso. Até programas atuais, como o Balanço Geral SP, não tem muito pudor na exploração de dramas humanos. Mas toda regra tem a sua exceção. E a da Record é assistida por cerca de 10 pontos diariamente na Grande São Paulo. Trata-se do Cidade Alerta, comandado com maestria por Marcelo Rezende.

Tal qual um maestro de verdade, Rezende também não abre mão de uma equipe fiel o acompanhando. E encontra um trunfo na montagem desse time. Ele soube perfeitamente dividir o momento de sucesso e abrigar os mais variados perfis de jornalistas numa equipe que sempre dá show no ar, seja para brincar ou para informar. E vale atentar bem para o "ou". Jornalismo e entretenimento estão presentes no Cidade Alerta, mas não se misturam. Os momentos em que a informação é prioridade são respeitados. Foi assim com os protestos de Junho, em que o programa ficou por mais de 3h no ar somente com imagens da mobilização popular em diversos dias.

E quando o universo conspira a favor, até o que poderia ser considerado um exagero colabora. A duração avantajada permite que Rezende e sua tropa se desprendam de qualquer roteiro. Como um atraso às 17h30 vai impactar diretamente às 20h10, por exemplo? Com essa liberdade, além daquela que só o ao vivo proporciona, vemos o jornal ser feito em tempo real, apesar de qualquer estrutura inicial em que seja baseado. Se a entrevista rende, simplesmente segue rendendo. Vantagem que os telejornais tradicionais, que raramente podem durar mais de 1h, não possuem. 

O sucesso proporcionado por essa fórmula rompe fronteiras. Umas mais, outras menos, mas simplesmente todas as praças da Record exibem trechos do Cidade Alerta nacional ao vivo. E não há nenhuma obrigação para que façam isso, diferentemente de como foi no rápido retorno de Datena. Se o agora novamente apresentador do Brasil Urgente chegou cercado de expectativas e decepcionou, a investida em Marcelo Rezende começou cercada de desconfianças e deve ter surpreendido até os mais otimistas.

E ele segue contrariando qualquer prognóstico. É sabido que os programas policiais cansam após chegaram ao auge. Mas isso ainda não aconteceu e nem deve acontecer com o formato atual do Cidade, que já está consolidado na mesma faixa há meses, independente da presença de casos de comoção nacional ou não. Por um motivo simples e que nos faz voltar ao primeiro parágrafo: boas histórias não faltam. Sejam contadas de Manaus pela Fabíola Gadelha ou de Porto Alegre pela Luíza Zanchetta. E é por isso que o sucesso não é regionalizado. O público não liga no Cidade para conferir as notícias do seu bairro, mas sim para acompanhar notícias que mexam com ele. 

Enquanto isso, a Globo faz apostas insossas. Você sabe o nome de mais de 5 personagens da atual temporada de Malhação, de Joia Rara e de Além do Horizonte? Pois é... Seja regredindo ao infantilizar uma faixa em que o projeto verdadeiramente jovem anterior obteve êxito, escurecer e refinar um horário marcado pelo perfil mais mexicano das novelas brazucas ao tentar o mistério ao invés da comédia nas 19h, o canal carioca se vê minado pelo fenômeno da Record, que realmente a ameaça e até belisca a liderança em vários minutos de diversos dias. Afinal, pode-se ver facilmente que o mito criado em torno da riqueza de Percival de Souza caiu muito mais no gosto da massa do que qualquer núcleo das tramas citadas. Assim como o interesse pelo destino amoroso de Luiz Bacci parece ser bem maior do que o criado em torno do personagem do azarado Thiago Rodrigues, que mais uma vez se vê em uma trama mal sucedida em audiência. 

E se engana quem pensa que o boom do Cidade Alerta ficou limitado ao "simples" papel de alavancar o horário nobre da Record, sendo decisivo para vice-liderança do canal. Tal qual a Globo fez com Avenida Brasil ou o SBT com Carrossel, os bispos não são bobos (de vez em quando) e exploram seu maior sucesso recente. É homenagem no Domingo da Gente para lá, pitacos sobre vídeos de internautas no Esporte Fantástico para cá... E todos tiram uma casquinha. Até o próprio, que já vê seu livro autobiográfico Corta Pra Mim ser um sucesso. O lançamento em São Paulo levou simplesmente 5 mil pessoas para livraria em pleno sábado pela manhã. Além disso, a repercussão nas redes sociais é garantida e os vídeos do jornalístico ficam sempre entre os mais vistos do R7, portal da emissora. Com o sucesso em tantas plataformas, qual será a próxima investida de Marcelo Rezende? Só resta que aguardemos os próximos, mas certamente já bem-sucedidos capítulos. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Onde há fumaça, não há Marcelo Rezende


O trânsito paulistano das sextas é fatalmente tenso... Mas o imprevisto pode causar ainda mais caos na já conturbada cidade. Foi assim com o grave incêndio no Memorial da América Latina, que atingiu um dos auditórios da verdadeira obra de arte arquitetônica assinada por Oscar Niemeyer, localizada na região da Barra Funda.

Se você acompanha o mundo da TV com frequência, esse nome certamente não te soou familiar somente pelas opções de transporte disponíveis na área, mas pelo bairro ser onde ficam alguns dos principais estúdios da Record. É lá que se abriga o jornalismo da emissora.


Assim que a fumaça começou a se espalhar pela região, o Programa da Tarde que estava no ar. Britto Jr. chegou a mostrar algumas imagens ao vivo dos corredores do canal no momento em que funcionários já tapavam os rostos com suas camisas. O próprio apresentador voltou rapidamente ao estúdio para não prejudicar a sua alergia. E a pauta logo retornou a ser o reality Além do Peso. A grávida Ana Hickmann seguiu no programa até o fim.

Na sequência, entrou no ar o Cidade Alerta de Marcelo Rezende, ancorado excepcionalmente de uma redação mais vazia do que costuma ser. Ele até tentou comandar a narração ao vivo das chamas por 2 blocos, intercalados por longos breaks, mas logo a emissora optou por exibir reprises do Repórter Record, programa que já foi ancorado por Rezende.

O jornalista se justificou ao final da edição em um VT previamente gravado: "Toda a fumaça invadiu todas as dependências da Record e quase todos os funcionários foram removidos". O apresentador relatou até um "risco de vida" como causa para o "programa especial".


Aberto também com a notícia, o Jornal da Record teve depoimentos de seus apresentadores afirmando que eles usaram máscaras durante a tarde para manterem a voz (assim como repórter Lúcio Sturm [foto abaixo]. Mas Janine Borba observou que lá estavam "firmes e fortes". O JR News, de Heródoto Barbeiro, também foi ao vivo, após o canal passar parte da tarde com uma edição especial do Hora News, reprisada pouco depois por causa da total falta de condições também na sede do canal.


Dentre os canais de notícias, Globo News e Band News também ficaram ao vivo direto por mais de duas horas. E a Globo aberta chegou a colocar um boletim extra com Patrícia Poeta. Ambas ignoraram a situação da Record, assim como a Band, que somente se "aproveitou" da saída da Record da cobertura para ficar com um "exclusivo" na tela do Brasil Urgente, hoje apresentado por Márcio Campos. E o SBT inseriu boletins nos comerciais de suas novelas vespertinas e da série Eu, a Patroa e as Crianças. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A semana histórica na mídia brasileira: O gigante acordou

São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Belém, Porto Alegre... Essas e muitas outras capitais foram tomadas por manifestantes ao longo de uma semana que entrará para história política do país. Foram muitas manifestações, com muitas pessoas e muitos pedidos. Superlativos que também aparecem nas transmissões de TV.


17/6 | Na segunda, a revolta popular já era imensa. Seja na Avenida Paulista ou na Getúlio Vargas, dezenas de milhares lotavam as cidades. A Record fez sua habitual cobertura ao vivo com Marcelo Rezende durante o Cidade Alerta e apertou a concorrência. Na Band, José Luiz Datena foi escalado para um Plantão que durou do final do telejornal do canal até o CQC, que também contou com entradas ao vivo de Márcio Campos e Felipe Andreoli. Na Globo, a principal marca do dia foi a mudança de tom da cobertura. Não que o canal estivesse contra os manifestantes antes, mas os apresentadores e repórteres passaram a observar excessivamente que apenas grupos isolados praticavam atos de vandalismo. O primeiro boletim do canal foi comandado por Patrícia Poeta ainda durante a Sessão da Tarde. Entre Malhação e Flor do Caribe, novo boletim extraordinário. E foram tantos outros, seja com a âncora do JN durante Sangue Bom ou com Christiane Pelajo durante Amor à Vida. Na Tela Quente, diversos comerciais foram feitos apenas para realização de entradas ao vivo. E vários telejornais locais tiveram suas durações ampliadas para mostrarem os protestos em tempo real, como o DFTV, que mostrou a ocupação do teto do Congresso.

Com baderna ou sem baderna?
Na Band, Datena passou por maus momentos durante o Brasil Urgente da segunda. Ele havia questionado se o público era a favor de protestos com baderna. Mesmo com o apresentador se posicionando claramente contra, a resposta do público o contradisse.

Invasão da marquise do Congresso foi uma das imagens marcantes da segunda

Sede paulista da Globo cercada
Acuada na cobertura e tendo até mesmo que escalar repórteres desconhecidos e sem canoplas para as ruas, a Globo se pronunciou através de editorial no JN. "A TV Globo vem fazendo reportagens sobre as manifestações desde o seu início e não tem nada a esconder. O excesso da polícia, as reivindicações do Movimento Passe Livre, o caráter pacífico dos protestos e quando houve depredação e destruição de ônibus. É a nossa obrigação e dela não nos afastaremos, direito de protesta pacificamente, é um direito dos cidadãos", disse Patrícia Poeta

18/6 | Na terça, a intensidade dos protestos estampou capas históricas para os principais jornais do país. E a repercussão empurrou William Bonner de volta para o Rio de Janeiro. Na edição anterior do JN, o âncora havia ficado limitadíssimo ao cobrir de Fortaleza apenas as notícias da Copa das Confederações. O apresentador justificou seu retorno, o único dentre os jornalistas que cobrem o evento esportivo para Globo.

Após anunciar que "Você viu que, nos últimos dias, eu estive acompanhando a seleção brasileira na Copa das Confederações. Aliás, como foi planejado com quase dois anos de antecedência. Mas, à medida que as manifestações de protesto foram se espalhando, foram crescendo pelo Brasil, automaticamente elas foram cada vez mais ocupando o noticiário do Jornal Nacional. É verdade que, mesmo à distância, eu e os colegas aqui da redação do Jornal Nacional temos total condição de trabalhar juntos, com a ajuda da tecnologia. Mas, depois dos acontecimentos de ontem, eu preferi voltar para cá e participar ainda mais de perto desta cobertura", Bonner chamou Galvão Bueno, que fez o papel de âncora da transmissão direto de Fortaleza. Ainda na Globo, os boletins do JG com Christiane Pelajo voltaram a marcar presença em boa parte da grade a partir da exibição da novela Amor à Vida. Show da Fé e Os Simpsons voltaram a ser cancelados na Band, assim como a Record repetiu o esticamento do JR.

Carro da Record incendiado
Uma das notas tristes da terça de protestos foi o incêndio de uma Unidade Móvel de Jornalismo da TV Record em São Paulo. O assunto ganhou ampla repercussão, incluindo referências nominais, em todas as concorrentes.


Ainda no Cidade Alerta, que transcorria durante o incêndio, a Record confirmou que toda a equipe, liderada pela repórter Merie Gervásio, passava bem.

Em nota oficial, a emissora "reafirma o seu compromisso de transmitir com fidelidade o protesto pacífico de milhares de pessoas nas ruas brasileiras e lamenta apenas que pequenos grupos tentem impor as suas ideias pela violência".

19/6 | O jogo da Seleção Brasileira parece ter esfriado os ânimos dos manifestantes na quarta, que relativamente foi mais tranquila. O anúncio da redução das tarifas em São Paulo e no Rio de Janeiro também  contribuiu para o clima de calmaria, claro. A coletiva de Fernando Haddad e Geraldo Alckmin em São Paulo foi transmitida ao vivo pela Globo imediatamente depois da vitória brasileira sobre o México. Patrícia Poeta chegou até mesmo a conversar com o narrador Galvão Bueno por alguns instantes.


Durante a partida, Galvão mostrou cartazes de manifestantes no Castelão, que foram capturados por câmeras exclusivas da Globo. Também chamou atenção a cantoria completa do Hino Nacional pela torcida, mesmo após ser encerrada a parte da trilha editada pela Fifa. 

O clima só não foi tão amistoso em uma afiliada que teve o link invadido por manifestantes. No dia anterior, situação parecida já havia ocorrido em rede nacional com a Band. Aliás, devido ao futebol, o canal do Morumbi emendou o Jornal da Band, começado às 21h, com uma nova cobertura especial dos protestos sob a batuta de José Luiz Datena. 

20 de junho de 2013, "neste momento, as notícias mais importantes do dia estão transcorrendo diante dos seus olhos"



A edição histórica do Jornal Nacional foi aberta assim por William Bonner. "Aberta", já que Patrícia Poeta estava no ar há mais de 3h com as informações sobre a onda de protestos no Brasil em uma das mais surpreendentes coberturas da história global, quando boa parte da grade do horário nobre foi derrubada pelo jornalismo. Isso dá a dimensão do que foi o maior dia de mobilização nacional na história recente do país.


Antes desse momento, muitas mudanças ocorreram. A começar pelo cancelamento da transmissão de Espanha x Taiti, já que a Fifa impede a interrupção de imagens dos jogos gerados por ela. Para acomodar melhor os boletins, a Globo seguiu com sua grade normal de programação. Normal? Sem filme programado para Sessão da Tarde, já que o jogo era anunciado até a hora do Globo Esporte, a emissora tratou de esticar a novela O Profeta, que teve 10 breaks, grande parte deles com informações ao vivo comandadas por Patrícia, que mobilizava repórteres por todo o país. No break final, um grande boletim mostrava as cidades já lotadas, porém não houve o retorno para reprise, mas sim uma exibição surpresa de Malhação, que deveria voltar ao ar apenas na sexta. Após 14 minutos de capítulo, finalmente se entrou o boletim definitivo, sem nenhuma vinheta. Havia apenas o aviso verbal de que ali se interrompia a programação. Antes disso, foram 48 minutos de flashes durante a tarde, como diria o próprio William Bonner durante o encerramento do Jornal Nacional.

Jornal Nacional histórico. Afinal, como definir onde ele começou? Com Poeta comandando sozinha o boletim definitivo? Com William Bonner chegando para lhe fazer companhia? Com a vinheta de corte pontualmente às 20h30? Para William, na própria edição, prevaleceu a primeira opção. Para o site do JN, ao carregar a íntegra na internet, a segunda. Para Globo, ao direcionar os dados ao Ibope, a terceira. 

A referida chegada de William foi por volta das 19h50, quando o próprio admitiu que até então produzia a edição do JN e que não faria sentido planejar-se uma edição pelos fatos estarem acontecendo "ao sabor dos acontecimentos que estão se desdobrando na frente da tela". Em seguida, o também editor-chefe emendou um editorial defendendo a liberdade de imprensa, partindo da deixa do incêndio em um carro de reportagem do SBT no Rio de Janeiro. No mesmo dia, um veículo da Band Natal também foi depredado. 


Cerca de 40 minutos mais tarde, no horário em que deveria acabar Sangue Bom, que fora cancelada no dia, assim como Flor do Caribe e a segunda edição do Praça TV, entra no ar a vinheta de patrocínio do Bradesco e o selo de abertura. Mas vão veio a escalada depois, apesar da trilha histórica do Jornal Nacional, antes usada em 2013 apenas na definição do conclave que elegeu Francisco como papa, ficar ao fundo da fala de William Bonner por alguns instantes. Era mesmo uma "edição completamente diferente daquelas que estamos habituados". Naquele momento, disse Bonner, as notícias mais importantes do dia estavam transcorrendo diante dos olhos do públicos. A imagem na tela era a de um pequeno grupo tentando invadir o Palácio do Itamaraty. 

A edição do JN no dia teve apenas 2 VTs, ambos sobre a Copa das Confederações, exibidos no penúltimo bloco da edição e chamados diretamente pelos apresentadores. Sobre as manifestações, apenas informações ao vivo. Às 21h20, com um editorial que defendia a maioria pacífica, era encerrada a edição que proporcionou momentos peculiares, como as conversas de Patrícia Poeta com a produção para definir qual seria o próximo link a ser chamado. E com a promessa, de fato cumprida, de interrupção durante todos os breaks da novela Amor à Vida. No primeiro, pelo próprio Bonner. Depois, com Christiane Pelajo dos estúdios do Jornal da Globo, como ocorria nos dias anteriores. Os créditos subiram  ao som da trilha especial. 



Excepcionalmente, a edição foi liberada na internet também para quem não é assinante da globo.com. 

Simultaneamente, a Record prosseguia com sua cobertura, que durou até 22h30. A da Band, começada apenas após 21h por causa de compromissos com a Copa das Confederações, foi até 23h. No SBT, as entradas ao vivo ocorreram durante o Programa do Ratinho, porém já haviam começado desde a tarde, quando derrubaram o Casos de Família.

21/6 | Na sexta, o noticiário voltou a ser tomado pelos protestos. Basicamente, pela repercussão deles, já que a onda de manifestações foi menor. Boa parte dos telejornais locais da Globo, que no dia anterior falaram sobre o movimento apenas em boletins regionais no break de Amor à Vida, foram dedicados ao assunto. No Bom Dia Brasil, a escalada foi integralmente sobre isso. 



Já o JN, que começou mais tarde por causa do horário político, foi interrompido também pela rede nacional da presidente Dilma Rousseff, que prometeu convocar os líderes dos protestos para reuniões, voltou a ser dividido apenas entre um amplo espaço para as manifestações e um minúsculo para Copa das Confederações, que ainda foi repleto de gafes. Primeiro, Bonner interrompendo Galvão Bueno na ida para o break. Depois, o microfone do narrador falhou. Entre trancos e barrancos, Galvão falou e a edição terminou apenas após 21h40, uma marca praticamente histórica numa semana que realmente fez história. Bonner e Poeta retornaram no dia seguinte, mesmo sendo um sábado, assim como ocorreu com Sandra Annenberg e Evaristo Costa no Jornal Hoje. 

O Globo Repórter da sexta, em raro momento factual, foi dedicado aos protestos. 

O dia também serviu para divulgação das capas das revistas semanais. Veja e Época estamparam os selos de edição histórica e edição especial, respectivamente. 

Opiniões conturbadas

Quando o Brasil para por um tema, muita gente para para falar sobre esse tema. Não foi diferente com a onda de manifestações. Arnaldo Jabor foi um dos primeiros a falar sobre o assunto na TV. E a se precipitar também. . Após classificar o Movimento Passe Livre meramente como baderna, o jornalista voltou atrás. “Outro dia eu errei, sim. Errei na avaliação do primeiro dia das manifestações contra o aumento das passagens em São Paulo. Falei na TV sobre o que me pareceu um bando de irresponsáveis fazendo provocações por causa de 20 centavos. Era muito mais que isso”, disse.

Se falando em #opinião, obviamente também não falta espaço para Rachel Sheherazade. Sempre polêmica, a jornalista fez uma certa crítica ao tom apartidário das manifestações brasileiras: "Nós, brasileiros, temos todos os motivos do mundo para reclamar! Mas, se não focarmos as prioridades, não chegaremos a lugar algum. Porque uma hora os protestos vão virar lugar comum, as passeatas vão cansar... Interessante é que o movimento se diz apartidário e quer mudar o país. Mas, numa democracia, não é possível fazer mudanças sem a interveniência dos partidos e a ação dos políticos. Ou será que queremos voltar ao regime de exceção, sem parlamento, sem representação, sem eleição? Os políticos são um mal necessário. E se eles não nos representam, que os mudemos! Candidatem-se os bons! Elejamos os honestos! Chegou a hora de decidir se queremos continuar a viver numa democracia ou se preferimos transformá-la em anarquia".

Outra estrela do SBT, Ratinho, foi mais direto e também se tornou hit na internet ao dizer que "a população está de saco cheio".

Aliás, é sempre bom lembrar que o SBT tem helicóptero, mas não Globocop.