Dois temas diretamente relacionados ao telejornalismo pautaram o Brasil nos últimos dias. Dois assuntos teoricamente bem diferentes, mas que tem inúmeras semelhanças entre eles.
No estúdio em São Paulo, o comentário polêmico da apresentadora. Nas ruas do Rio de Janeiro, a agressão covarde ao cinegrafista. Em gabinetes e redes sociais, muita conversa. E só.
Na última terça-feira, Rachel Sheherazade emitiu a sua tradicional opinião diária na bancada do SBT Brasil. Nada demais, não fosse provavelmente a mais controversa nos cerca de três anos em que ela ocupa o posto. Tão controversa que fez a apresentadora ser entrevistada pelo seu companheiro Joseval Peixoto dias depois.
O destaque que a fala da jornalista concedeu ao caso do menor que foi amarrado em um poste e agredido no Rio de Janeiro fez com que o caso se tornasse a capa da revista Veja e ecoasse também em matérias no Domingo Espetacular e no Fantástico.
Dois dias depois do comentário de Rachel, as ruas do Rio foram palco de outra agressão. Dessa vez fatal, como infelizmente viria a se confirmar nesta segunda. Santiago Andrade, cinegrafista da Band, foi atingido por um rojão enquanto cobria mais um dos tantos protestos que se multiplicam desde junho.
Em pleno Centro da cidade que logo sediará a final da Copa do Mundo e consequentemente receberá jornalistas de todos os cantos do planeta [o próprio Santiago estava escalado para cobertura do evento], um profissional da imprensa é assassinado em plena luz do dia simplesmente por cobrir a notícia ter sido o seu “lugar errado”. Dois black blocs destroçaram as vidas de duas mulheres: a viúva e a órfã do cinegrafista.
Mas será que não teria sido um mero acaso? Uma infeliz coincidência desmente quem adotar essa teoria. Há dois anos, um cinegrafista da mesma Band também foi atingido por bandidos cariocas. Naquele caso, notas de pesar também foram emitidas aos montes quando foi divulgada a notícia do falecimento de Gelson Domingos. Só que nada mudou, como prova agora o novo incidente.
Parte da fala de Sheherazade ao portal NaTelinha sobre a ação de entidades que muito reclamaram do discurso dela, porém nada fizeram em favor do jovem agredido se encaixa muito bem também ao clamor que inúmeras federações realizam agora por Santiago: “Alguma dessas entidades lhe socorreu? Estendeu-lhe a mão? Ou ele só foi usado como discurso panfletário e nada mais?”.
No próximo protesto, muito provavelmente teremos outros tantos profissionais no fogo cruzado sem nenhuma proteção. Todos na espera da melhor imagem, mas sem terem ideia do que os espera.
Repercussão
A tragédia tomou até mesmo manchetes internacionais. Em sua matéria, a BBC destaca que o protesto em que ocorreu o acidente era contra um novo aumento das passagens do transporte coletivo. O Wall Street Journal destaca que o foco internacional trazido pelos eventos esportivos acaba inflando as manifestações.
Por aqui, todas as emissoras se uniram em torno da cobertura desde o começo. Muitas inclusive abriram espaço para os pedidos de doação de sangue para Santiago, que fizeram o Hemocentro Rio bater recorde de doadores em um domingo e hoje foram agradecidos em nota pela família.
Na sexta-feira, o Jornal Nacional dedicou quase 20 minutos divididos em dois blocos ao caso. É um tempo similar ao de coberturas especiais indicadas ao Emmy, como a do desabamento de três prédios no Rio em 2012. Após a confirmação da morte, mais da metade da edição desta segunda do Jornal Hoje repercutiu informações sobre o caso. O RJTV foi encerrado em silêncio como sinal de luto.
Na Band, o Jogo Aberto foi interrompido em diversos momentos para que pudesse ser informada toda a repercussão do falecimento de Santiago.
Essa coluna foi publicada originalmente no NaTelinha
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Casos Santiago Andrade e Rachel Sheherazade possuem semelhanças
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Acaba o pontificado de Bento XVI
De tão rara, a decisão do papa Bento XVI de renunciar ao cargo jamais havia sido especulada. Se nem mesmo João Paulo II havia optado por esse ponto final precoce ao seu papado enfrentando problemas de saúde evidentes, qual seria a razão para seu sucessor tomar essa decisão estando visivelmente saudável para um senhor de 85 anos? Segundo ele, apenas cansaço. A história vai responder essa questão de fato.
A Igreja vinha mergulhada no mesmo boom de polêmicas que a cerca desde o início dos anos 2000. Perda de fiéis, crescimento do islamismo, denúncias de pedofilia, membros da Santa Sé relevando segredos... Mas nenhum deles estava no auge em 11 de fevereiro de 2013. Ratzinger teria optado por se despedir em um momento de relativa calmaria de propósito? Eis mais uma questão que fica sob a responsabilidade da história.
Mas esse post não se objetiva em especular sobre teorias conspiratórias dignas de Dan Brown. O blog vai apenas retratar como a imprensa brasileira e mundial contou a história que está sendo escrita depois de mais de 600 anos da última renúncia papal.
A Globo fez a cobertura mais ampla sobre a saída e toda a repercussão gerada por ela. A primeira informação veio ancorada por Sandra Annenberg em edição extra do Globo Notícia no break do Mais Você cerca de 15 minutos depois da agência italiana Ansa noticiar o fato em primeira-mão.
Aliás, cabe uma observação curiosa sobre o furo da Ansa: Ele foi conseguido apenas pelo domínio do latim pela repórter da agência que cobria um teoricamente simples anúncio de canonizações.
Voltando para plim-plim, Sandra Annenberg ainda voltaria com o Globo Notícia extra minutos depois para aprofundar as informações usando o conteúdo divulgado pela Reuters e reproduzido pela CNN.
A edição do Bem Estar foi completamente dedicada ao assunto, assim como diversos jornais locais receberam os bispos das regiões para comentários sobre a saída de Bento XVI.
Surpreendido por um fato que não ocorria desde 1415 em plena segunda de Carnaval, o Jornal Hoje teve que desidratar a cobertura da folia e recebeu um especialista na bancada em uma edição que teve cerca de 10 minutos a mais que o habitual. Durante a tarde, Heraldo Pereira comandou chamadas extraordinárias do Jornal Nacional, que não teve a mesma sorte do JH em ser esticado. Antecedendo o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, o telejornal dedicou 21 minutos diretos para renúncia do papa, 2 a menos do que para tragédia de Santa Maria na edição do dia 28 de janeiro. O JN teve a escalada aberta com a data e contou com entradas ao vivo de Marcos Losekann direto do Vaticano
Sim, de Marcos Losekann. Ilze Scamparini estava de férias no Brasil e o correspondente mais próximo (no caso, de Londres) foi deslocado. E a chegada dele no pedaço mais emblemático de Roma não foi fácil. Como o próprio contou, o jatinho teve problemas e quase arremeteu. No final, tudo deu certo e a Globo terminou o dia com um correspondente na Itália. Antes, a cobertura se baseava em Londres e tinha o apoio da correspondente da Globo News em terras italianas.
Ilze participou da cobertura, mas com um VT feito do Rio de Janeiro. Entretanto, ela já apareceu em Roma nessa terça depois de ter as férias canceladas, tadinha. Novos dias de descanso para Ilze provavelmente só depois do conclave que vai escolher o sucessor de Bento XVI. Aliás, existe uma expectativa interessante para que esse sucessor seja de fora da Europa. Será que veremos um papa brasileiro? Sendo daqui ou não, o fato é que a primeira viagem internacional do próximo papa deverá ser para Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.
SBT
Comandado por um judeu, o canal voltou a surpreender em mais uma animadora cobertura da gestão de Marcelo Parada. As edições de segunda e terça do SBT Brasil dedicaram boa parte de suas durações para repercussão da saída de Bento XVI do posto de papa. Além disso, o correspondente milanês (Guilherme Aquino) e o londrino (Sérgio Utsch) foram deslocados para o Vaticano.
Record
Já o canal de Edir Macedo noticiou a renúncia em rápida nota durante o Fala Brasil e deu pouco destaque ao tema, apesar dele ter aberto a edição de segunda do Jornal da Record. O mais perto que a rede chegou do Vaticano foi com link de Mauro Tagliaferri em Lisboa. A Record News até mostrou mais interesse no tema chegando a falar com especialistas ao longo do dia (por telefone, claro). Já o R7 preferia destacar a ansiedade pelos desfiles das escolas de samba cariocas em sua home.
Abaixo, capas de jornais de todo o mundo que também noticiaram o que já é um dos fatos mais relevantes de 2013:
A Igreja vinha mergulhada no mesmo boom de polêmicas que a cerca desde o início dos anos 2000. Perda de fiéis, crescimento do islamismo, denúncias de pedofilia, membros da Santa Sé relevando segredos... Mas nenhum deles estava no auge em 11 de fevereiro de 2013. Ratzinger teria optado por se despedir em um momento de relativa calmaria de propósito? Eis mais uma questão que fica sob a responsabilidade da história.
Mas esse post não se objetiva em especular sobre teorias conspiratórias dignas de Dan Brown. O blog vai apenas retratar como a imprensa brasileira e mundial contou a história que está sendo escrita depois de mais de 600 anos da última renúncia papal.
A Globo fez a cobertura mais ampla sobre a saída e toda a repercussão gerada por ela. A primeira informação veio ancorada por Sandra Annenberg em edição extra do Globo Notícia no break do Mais Você cerca de 15 minutos depois da agência italiana Ansa noticiar o fato em primeira-mão.
Aliás, cabe uma observação curiosa sobre o furo da Ansa: Ele foi conseguido apenas pelo domínio do latim pela repórter da agência que cobria um teoricamente simples anúncio de canonizações.
Voltando para plim-plim, Sandra Annenberg ainda voltaria com o Globo Notícia extra minutos depois para aprofundar as informações usando o conteúdo divulgado pela Reuters e reproduzido pela CNN.
A edição do Bem Estar foi completamente dedicada ao assunto, assim como diversos jornais locais receberam os bispos das regiões para comentários sobre a saída de Bento XVI.
Surpreendido por um fato que não ocorria desde 1415 em plena segunda de Carnaval, o Jornal Hoje teve que desidratar a cobertura da folia e recebeu um especialista na bancada em uma edição que teve cerca de 10 minutos a mais que o habitual. Durante a tarde, Heraldo Pereira comandou chamadas extraordinárias do Jornal Nacional, que não teve a mesma sorte do JH em ser esticado. Antecedendo o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, o telejornal dedicou 21 minutos diretos para renúncia do papa, 2 a menos do que para tragédia de Santa Maria na edição do dia 28 de janeiro. O JN teve a escalada aberta com a data e contou com entradas ao vivo de Marcos Losekann direto do Vaticano
Sim, de Marcos Losekann. Ilze Scamparini estava de férias no Brasil e o correspondente mais próximo (no caso, de Londres) foi deslocado. E a chegada dele no pedaço mais emblemático de Roma não foi fácil. Como o próprio contou, o jatinho teve problemas e quase arremeteu. No final, tudo deu certo e a Globo terminou o dia com um correspondente na Itália. Antes, a cobertura se baseava em Londres e tinha o apoio da correspondente da Globo News em terras italianas.
Ilze participou da cobertura, mas com um VT feito do Rio de Janeiro. Entretanto, ela já apareceu em Roma nessa terça depois de ter as férias canceladas, tadinha. Novos dias de descanso para Ilze provavelmente só depois do conclave que vai escolher o sucessor de Bento XVI. Aliás, existe uma expectativa interessante para que esse sucessor seja de fora da Europa. Será que veremos um papa brasileiro? Sendo daqui ou não, o fato é que a primeira viagem internacional do próximo papa deverá ser para Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.
SBT
Comandado por um judeu, o canal voltou a surpreender em mais uma animadora cobertura da gestão de Marcelo Parada. As edições de segunda e terça do SBT Brasil dedicaram boa parte de suas durações para repercussão da saída de Bento XVI do posto de papa. Além disso, o correspondente milanês (Guilherme Aquino) e o londrino (Sérgio Utsch) foram deslocados para o Vaticano.
Record
Já o canal de Edir Macedo noticiou a renúncia em rápida nota durante o Fala Brasil e deu pouco destaque ao tema, apesar dele ter aberto a edição de segunda do Jornal da Record. O mais perto que a rede chegou do Vaticano foi com link de Mauro Tagliaferri em Lisboa. A Record News até mostrou mais interesse no tema chegando a falar com especialistas ao longo do dia (por telefone, claro). Já o R7 preferia destacar a ansiedade pelos desfiles das escolas de samba cariocas em sua home.
Abaixo, capas de jornais de todo o mundo que também noticiaram o que já é um dos fatos mais relevantes de 2013:
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