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terça-feira, 11 de março de 2014

The Noite é a melhor estreia do SBT em anos

Cercada de expectativa, a grande aposta da programação diária do SBT em anos correspondeu ao que se esperava dela. E até superou boa parte das previsões. O The Noite já é logo de cara uma grata surpresa da emissora. Não que alguém ainda subestimasse o talento de Danilo Gentili, que passou de repórter inexperiente para apresentador da sensação do início de madrugada na TV brasileira e inaugurou uma bem sucedida experiência de talk shows na Band, tanto que o canal resolveu manter no ar o Agora é Tarde mesmo após a saída de boa parte da equipe que o criou.


Aliás, é pelo menos covardia comparar o novo programa de Gentili com o anterior, agora comandado por Rafinha Bastos. A nova estrela do SBT não apenas se supera com folga, mas também deixa para trás seu sócio em um bar em São Paulo, porém agora concorrente direto pela audiência. Enquanto o programa que está há dois anos no ar praticamente retornou até a estaca zero na busca de uma linha editorial, a estreia deu a impressão de ser uma atração veterana em nosso convívio, tendo em vista seu excelente ritmo.

Absolutamente tudo funcionou nesse primeiro programa. De detalhes técnicos ao belo e grandioso cenário, que realmente poderia ser aproveitado por qualquer entrevistador estadunidense. Nível altíssimo para o padrão que nos acostumamos a conferir no conteúdo oriundo do centro de televisão da Anhanguera.

Os acertos que vinham desde a chamadas se acumularam desde o primeiro instante da atração, que mostrou o elenco interagindo a partir do Máquina da Fama com diversas outras atrações do SBT. O comecinho do The Noite conseguiu boas sacadas ao mostrar Gentili resgatando seu elenco por programas consagrados da casa. De Murilo Couto caracterizado como uma chiquitita até a busca também no banco da praça do Carlos Alberto de Nóbrega, os primeiros instantes já foram suficientes para ganhar o telespectador mais desconfiado, que ainda foi brindado com o sempre afiado monólogo de Gentili. Ou seja, destaque para o talk show do SBT justamente em um dos pontos mais fracos do similar da Band.

E o melhor: Danilo se apresentou para o novo público, mas sem se limitar ao enrolar muito girando em torno de si mesmo ou do formato. O apresentador mostrou sua habilidade na prática. E até mesmo os quadros que brincaram com o fato desse ser o primeiro dia demonstraram isso. Ao admitir que enganou jornalistas ao “deixar vazar” a possibilidade do programa se chamar Jô Soares Onze e Meia com Danilo Gentili, o apresentador convocou uma lista de outros nomes que teriam sido pensados para batizar o programa. Ao acertar dois alvos numa tacada só, Agora é Jequitarde certamente seria o melhor deles. E se a Jequiti ganhou essa menção, a Tele Sena recheou o único break do dia. Nada mais SBT, certo? Afinal, até as novelas mexicanas ganharam espaço com a divertida alfinetada do método de atuação de Fábio Porchat, o convidado do dia. Em retaliação, Léo Lins e Murilo Couto também riram de repetições cometidas por Danilo, principalmente ao “ofender” membros da equipe.

Outro ícone do SBT apareceu justamente em outro momento em que Jô, o maior expoente do estilo de programa no Brasil, também foi citado. Ao chegar e dar de cara com um empoeirado cenário que foi do agora global, Ivo Holanda revelou que aquilo não passava de uma pegadinha.

Ao se deparar com o verdadeiro espaço novo, também vieram novas indiretas. Ele exaltou que o estúdio não era “reciclado”, diferentemente do seu na Band, que apenas foi renovado com toques de madeira na troca de temporada e ainda hoje segue quase idêntico.

Para justificar a ausência de Marcelo Mansfield, o bom humor entrou em cena novamente. Numa esquete, Marcos Oliver foi insinuado como amante do humorista no Retiro dos Artistas. E o substituto de Mansfield, Diguinho Coruja, talvez único ponto do programa que ainda possa levantar dúvidas, foi apresentado ao público já com relativo destaque.

O show já estava armado, mas o “talk” que justifica o formato também não ficou devendo. Talvez por ser uma figura global, Fábio Porchat acabou ganhando o estigma de que seria cheio de limitações na conversa. Bobeira. Ele brincou, adiantou novidades inéditas da carreira e riu de seu próprio passado, que apesar de não ser coisa de cinema, o condena. Uma boa entrevista em que ambos ficaram livres e também deixaram o público confortável diante da telinha.

Mas apesar de somente um nome ter estreado o novo sofá, várias celebridades deixaram a sua marca nesse começo de The Noite. E sem aquelas mensagens óbvias de boas vindas ou com espaço simplesmente por serem relevantes. Os famosos também entraram na brincadeira. Eliana dançou no palco, Gominho serviu de apoio e Palmirinha se tornou uma instrutora de artes marciais, por exemplo.

E se começamos a coluna elogiando o esquete de abertura com a caçada pelos bastidores, o musical de encerramento não foi menos divertido. Estreia completa do começo ao fim. Na dosagem entre ser jovem e família, arrojado e confiável, novato e consagrado, hit na internet (emplacou diversos trends mundiais) e bem na audiência televisiva (vice-líder isolado), que muitas vezes podem soar como contradição, o The Noite começou sabendo que caminho deve trilhar. Os insones agradecem! E o SBT, que vê um investimento em conteúdo nacional renovado e inédito ser exitoso, certamente também. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Danilo Gentili dá show em entrevista com Marco Feliciano


Que o Agora é Tarde se tornou uma excelente opção em sua faixa horária e renovou o gênero de late show no Brasil, a maioria já sabe. Mas a imagem moleque de Danilo Gentili conquistada por suas polêmicas nas redes sociais ainda durante os tempos de CQC podem fazer com que o programa soe apenas como um espaço para diversão. A edição dessa quinta foi a prova de que a atração pode ir além do humor. Sim, Danilo Gentili pode ser tão informativo quanto Marília Gabriela. Ou até mais.

Se a loira do SBT protagonizou um confronto ferrenho com o pastor Silas Malafaia, em que as expressões e tons chamaram muito mais atenção do que as ideias, o comediante da Band priorizou o debate com o igualmente polêmico deputado Marco Feliciano, eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

No olho do furacão de protestos que pedem sua renúncia ou até mesmo cassação, Feliciano mostrou coragem ao optar por ir em um programa que muitas vezes riu dele. E não deve ter se arrependido da decisão. Gentili sabia que poderia simplesmente colocar o pastor contra a parede e ganhar declarações de amor dos milhares que compartilham pedidos pela saída de Feliciano nas redes sociais. Mas também sabia que seu papel de entrevistador não é esse.

Visivelmente nervoso, mas demonstrando maturidade, o apresentador soube colocar momentos controversos da vida do convidado em momentos oportunos, mas também deu ampla liberdade para que seus argumentos fossem expostos. Enfim, uma conversa como sempre tem que ser.

Em tempos onde a guerra parece muito mais vantajosa em termos midiáticos do que o debate, uma grata surpresa.

Em tempo: Se você perdeu a exibição da entrevista na Band, vale a pena a conferir no site do Agora é Tarde.

domingo, 2 de outubro de 2011

Após piadas de mau gosto, Band afasta Rafinha Bastos do CQC

@lucasfelix

O humorista Rafinha Bastos está fora da bancada do CQC durante as próximas semanas, segundo a colunista Mônica Bergamo do jornal Folha de São Paulo.

http://blogacessolivre.com/wp-content/uploads/2011/09/rafinha-bastos.jpg 

O afastamento de Rafinha acontece após seguidas piadas consideradas pesadas que foram ao ar ao vivo durante a atração. Em um primeiro episódio, ele chamou a apresentadora Daniela Albuquerque de cadela, sendo "convidado" pela direção da Band a pedir desculpas ao vivo na semana seguinte. Mesmo depois desse climão, ele insistiu na linha ácida semanas depois. Disse que comeria a cantora Wanessa Camargo e seu bebê. A repercussão negativa provavelmente foi ampliada porque Marcos Buaiz, o marido de Wanessa, é amigo de figuras como o também CQC Marco Luque e do ex-jogador Ronaldo.

Sem se intimidar com episódios anteriores, a coragem de Rafinha pode ter sido um tiro no pé. O discurso politicamente correto sempre vai existir, mas o apresentador não dosou a diferença de dizer algo livremente em seu show de stand-up ou na conta pessoal do Twitter para um programa semanal que regularmente fica em 2° lugar no Ibope e recebe milhões de reais de patrocínio, que aliás, pagam seu salário.

Comparar esse caso com outros acontecidos em ao redor do mundo é completamente irreal. Nos Estados Unidos, a liberdade para criticar qualquer coisa é bem maior. Desde os programas de humor até as campanhas políticos, mas isso não foi construído do dia para noite, como a geração stand-up quer implantar no Brasil. Questões culturais exigem muito tempo para serem alteradas.

http://tv.i.uol.com.br/televisao/2011/07/26/danilo-gentili-apresenta-o-agora-e-tarde-26711-1311697599344_560x400.jpg 

Muitas vezes, pegar mais leve acaba até sendo lucro. Bom exemplo disso é o colega de CQC Danilo Gentili. Após vários episódios embaraçosos, Danilo começou a fazer a linha bom moço, mesmo sem abandonar totalmente a ironia que marcousua carreira. O resultado? Seu programa solo (Agora é Tarde) que começou indo ao ar apenas 2 vezes semana, deve se tornar diário em breve.

Mesmo com o humorista sendo um dos principais destaques do CQC, o programa possui outros 8 repórteres igualmente talentosos no cast. A sua presença fará falta, mas ele passa longe de ser insubstituível.

O afastamento temporário provavelmente se trata de um teste. Até agora, as opiniões se apresentam bem equilibradas. Enquanto alguns comemoram o bom senso da Band, outros acusam a emissora paulista de censura. Acredito que um Rafinha mais calmo e sensato deve retornar dentro de poucas semanas ao ar. O afastamento definitivo caracterizaria algo desnecessário por parte do canal dos Saad, pelo menos por enquanto. E não é um exagero que irá resolver outro.